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Hora de Organizar a Retomada

O número de casos do coronavírus começou a crescer em Sergipe, nada que não fosse previsto, de acordo com o processo evolutivo da doença. Toda pandemia tem crescimento de contaminados em progressão geométrica. Aconteceu assim em sua origem, Na China, na Europa, e todos os outros lugares, como também está acontecendo em Sergipe. Entretanto, o Brasil não estava economicamente preparado para enfrentar o problema de modo que se preservasse a principal fonte de emprego e renda dos sergipanos, as empresas.

Foi adotado precipitadamente um modelo de fechamento das lojas do comércio, mantendo somente as atividades essenciais em funcionamento. O que seriam atividades essenciais, pois todas as funções exercidas pelas lojas têm finalidade essencial. As pessoas precisam comer, se vestir, dependem de serviços, entre outras tantas coisas que não dão diretamente uma definição de essencial como atividade, mas são essenciais para as vidas das pessoas. Pois é de lá que elas tiram seu sustento.

Esse modelo foi descaracterizado pelo então secretário de saúde, que disse diretamente “eu conheço o cientista, ele é muito partidário e eu não quero entrar nessa questão partidária. Essa preocupação dele não tem sentido e nós estamos numa situação confortável. Eu não sei se ele está incomodado com o nosso conforto”. Nisso, o ex-secretário mostra a discordância com o posicionamento do governador, que aparentemente não sabe a quem escutar nesse momento de complicação na vida das pessoas e na economia das famílias. Pessoas estão passando fome por não poder trabalhar, mais de 200 mil pessoas encontram-se com dificuldade de prover o seu sustento, já que a maioria é autônoma ou microempreendedora individual (MEI) e não pode trabalhar. São, no mínimo 50 mil pessoas desempregadas de modo forçado pelo decreto do governo do estado.

O Ministério da Saúde orienta que as cidades que possuam situação apropriada para a ocupação de leitos por pessoas internadas pelo coronavírus, possam abrir o comércio de forma organizada. O que mata mais nesse momento é a fome e a dificuldade de sustentar os negócios. Assim como os trabalhadores que estão sem salários, porque as empresas não podem pagar sem vendas, as empresas sofrem por ter seus colaboradores em dificuldades e verem outras lojas fechando suas portas. Para cada CNPJ morto, são pelo menos cinco CPFs sofrendo.

Se existem meios de poder abrir as empresas, com as medidas sanitizantes e profiláticas necessárias para garantir a segurança da saúde dos colaboradores e dos consumidores, por que não permitir a volta das atividades comerciais? O número de contaminados pelo coronavírus estourou e não foi culpa do comércio. Aumentou a testagem de pessoas, além de não haver controle da população no isolamento social. Quando se deveria somente sair para o que é necessário, muitos encaram o problema como se fossem férias e estão permanecendo nas ruas o tempo todo. A prova disso está nos calçadões do Centro Comercial, praias e redes sociais, com pessoas fazendo festas e aglomeração. A ponto de o único tipo de produto que elevou suas vendas, de acordo com a Secretaria da Fazenda, foram bebidas alcóolicas. Está sendo uma grande festa, para muitos. Enquanto isso, o comércio é culpado por algo que não teve nada a ver.

Como o inocente comércio pode ser culpado por algo se não chegou a ficar aberto por mais que dois dias? As aglomerações de pessoas nas ruas e portas de bancos são realmente culpa da atividade comercial? O governador precisa repensar o que os empresários estão pedindo via Fecomércio, que encabeça o movimento. Precisa ouvir mais as pessoas certas para entender o que realmente será danoso para o estado. Urge que salvemos as vidas das pessoas, mas precisamos salvar as vidas das empresas. Ouvir pessoas que não conhecem a realidade do estado, ignorando a própria equipe da saúde estadual e ignorando o setor produtivo, é um contrassenso com o cidadão sergipano.

Ao contrário do que aparenta, os empresários não estão querendo benefícios do estado, a não ser o que se justifique durante o período de lojas fechadas. As empresas querem apenas o direito de poder funcionar, para que se possa retomar o crescimento da economia, tentando resgatar os empregos perdidos com a pandemia, e não são poucos. Estimo que o desemprego direto já ultrapasse a casa das 10 mil pessoas, o que é uma situação tenebrosa para no mínimo 40 mil pessoas, incluindo suas famílias.

Ninguém tem culpa, pessoas e empresas, do que está acontecendo com o estado e a sociedade, lamentavelmente. Mas o momento é de união, não de exclusão. Estamos sendo ignorados e com isso, milhares de trabalhadores são tratados com desdém pelo governo do estado. É hora de organizar a retomada! Convidamos os gestores públicos a andarem de mãos dadas com os geradores de empregos do nosso estado, apoiando inclusive com política financeira para mitigar efeitos da crise sobre empresas, sob risco de muitas delas não conseguirem abrir suas portas quando isso tudo passar. Se separados cuidados uns dos outros nesse momento de pandemia, juntos somos realmente mais fortes para enfrentar os seus efeitos.

As empresas têm plenas condições de atender as pessoas de modo que seja garantida a proteção das vidas das pessoas. Até porque nosso maior bem é a vida, nenhuma empresa funciona sem ela. E para isso, temos os mecanismos de garantia da contenção da transmissão da doença. Máscaras obrigatórias, álcool gel e líquido, distanciamento eficiente para atendimento e filas, limpeza e desinfecção dos ambientes, para proteção de todos. Precisamos no momento é de equilíbrio para poder manter as pessoas em condições de viver sem maiores dificuldades.

Breno França – Presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor de Sergipe

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