- Entrevista

Entrevista – Jornal Correio de Sergipe e Portal AJN1

Setor atacadista em Sergipe já acumula prejuízo de R$ 100 milhões

PRESIDENTE DO SINCADISE DIZ QUE SEGMENTO TEM 8 MIL PONTOS DE VENDA E DISTRIBUIÇÃO ALCANÇA PEQUENO E MÉDIO VAREJO EM TODO O ESTADO

Em Sergipe, já chega a R$ 100 milhões o prejuízo acumulado pelo setor atacadista e distribuidor de produtos industrializados, desde o início das medidas de distanciamento social, por conta da pandemia. A informação é de Breno França, presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor de Produtos Industrializados do Estado de Sergipe (Sincadise). Em entrevista exclusiva ao Jornal Correio de Sergipe e ao Portal de Notícias AJN1, Breno conta como o setor tem enfrentado esse momento de pandemia e sobre a importância do segmento para a sociedade. Ele ainda diz que, além de implantar medidas de segurança em saúde para um funcionamento seguro, o setor preparou um Plano de Contingência. Graças ao planejamento feito, até o momento não houve desabastecimento de produtos e possivelmente não haverá. Confira a entrevista a seguir:

Correio de Sergipe – O senhor representa o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor de Produtos Industrializados do Estado de Sergipe (Sincadise). Como a pandemia do novo coronavírus (que resultou na implementação de medidas de isolamento social, com a interrupção das atividades normais, o que, entre outras coisas, impactou negativamente a produção, o consumo corrente e os investimentos) afetou o comércio atacadista em geral?

Breno França – O comércio atacadista é responsável por distribuir produtos industrializados ao pequeno e médio varejo, levando produtos e serviços aos 75 municípios do nosso estado. São oito mil pontos de venda que recebem diariamente visita de um representante comercial de um atacadista distribuidor, levando oportunidade de negócio para micro, pequenas e médias empresas. São padarias, farmácias, lojas pet, minimercados, supermercados, bares, hotéis, restaurantes, enfim, 55% dos produtos comercializados pelo pequeno varejista só são possíveis graças ao trabalho de um atacado distribuidor. Digo isso para que perceba o alcance e a relevância dos serviços prestados pelas empresas em nosso estado. Veja que as empresas atacadistas atendem os mais variados segmentos do comércio, indústria e agronegócio. Sendo assim, possui uma importância estratégica para o desenvolvimento do estado. Agora, respondendo sua pergunta, nos dois primeiros meses da quarentena, as vendas das empresas atacadistas tiveram um incremento da ordem de 30%, muito por conta do receio das pessoas de que houvesse desabastecimento, o que não houve em momento algum por conta da competência e do esforço que empresários e colaboradores das empresas atacadistas fizeram para não deixar faltar o básico na mesa dos nossos irmãos e irmãs de Sergipe. A partir de maio, as vendas começaram a retrair, por conta das restrições impostas em razão da pandemia. Desde então, a seta está descendente e esperamos estabilizar a partir do momento que as empresas do comércio varejista retomarem gradualmente seu funcionamento.

Correio de Sergipe – Qual a importância do comércio atacadista num momento como o que estamos vivendo?

Breno França – Como eu disse na primeira resposta, a importância das empresas do setor atacadista distribuidor é fundamental para a economia e se tornou mais relevante ainda nesse momento de pandemia. Foi graças ao comprometimento dos empresários atacadistas distribuidores e colaboradores (equipes de venda, motoristas, ajudantes, promotores, administrativo, supervisores, gerentes e direção), que trabalharam com planejamento para que suas operações continuassem rodando, para não deixar faltar produtos nas prateleiras do pequeno e médio varejo de bairro. Estão sendo verdadeiros guerreiros, fazendo o que sabem de melhor: atender com qualidade, serviços e preço competitivo o varejista, para que o pequeno comerciante possa ofertar aos seus clientes sortimento, preços baixos e atendimento diferenciado que é peculiar a esse tipo de negócio. É importante destacar também a atuação dos pequenos e médios supermercadistas, panificadoras, donos de farmácia, pet shops e demais estabelecimentos que estiveram sempre na linha de frente durante todo esse período, sempre tomando todos os cuidados necessários para garantir a segurança dos trabalhadores e consumidores que se dirigiram a esses estabelecimentos para abastecer os seus negócios, as dispensas de suas casas ou cuidar de alguém doente ou do seu animal de estimação. A todos eles, rendo os meus agradecimentos pelo comprometimento com a população e o estado nesse momento de enfrentamento ao coronavírus, em que todos acabamos sendo afetados de alguma maneira.

Correio de Sergipe – A indústria foi um dos setores mais afetados pela pandemia. Em algum momento, o setor imaginou que haveria escassez de produtos em geral?

Breno França – A atuação do setor desde o início contou com apoio das indústrias que são fornecedoras dos produtos que abastecemos o pequeno e médio varejo. O sindicato montou gabinete de monitoramento antes do início da quarentena e acompanhamos diariamente o nível do atendimento dos pedidos dos atacadistas por parte das indústrias. Preparamos um Plano de Contingência, para, se caso fosse necessário, mapear localidades que tivessem necessidade de intensificar a atuação das empresas do setor, mas graças a Deus não foi preciso, e creio que também não haverá mais necessidade. Graças ao planejamento, trabalho articulado entre distribuidores, indústria e pequenos comerciantes, estamos conseguindo manter as prateleiras dos supermercados, padarias, farmácias e demais varejistas abastecidas, evitando ruptura de produtos que são básicos para manter inclusive a saúde da população.

Correio de Sergipe – De março até agora, tem como avaliar o tamanho do prejuízo financeiro da classe empresarial que o Sincadise representa, em virtude do fechamento dos estabelecimentos comerciais e o que isso representa para a economia do estado?

Breno França – Em torno de 100 milhões de reais.

Correio de Sergipe – O Sincadise já negocia ou pretende negociar, com o estado ou os municípios, redução ou isenção dos impostos?

Breno França – Elaboramos um documento que foi apresentado ao governo do estado, em que pleiteamos compensação financeira por conta do fechamento de milhares de empresas que compram ao atacado distribuidor. A assessoria técnica do sindicato fez um estudo e propusemos ao governo a suspensão do pagamento do ICMS pelo período de 90 dias, tendo em vista que um volume alto de produtos estocados ficou impossibilitado de ser comercializado por conta do fechamento de inúmeros pequenos varejistas que comercializam esses produtos, causando impacto direto no caixa das empresas. Em nenhum momento, pedimos isenção e sim a prorrogação do pagamento dos impostos durante a quarenta, assim como foi feito em outros estados. A nossa proposta foi submetida à equipe técnica do fisco estadual que denegou o pedido feito pelo sindicato.

Correio de Sergipe – Em sua avaliação, as medidas de isolamento social são efetivas e evitam a proliferação da covid-19?

Breno França – Sou comerciante, entendo de comprar e vender (risos). O que nós observamos é que, de início, a falta de conhecimento sobre o vírus gerou medo do desconhecido, e é natural que assim seja. Desde o primeiro momento, empresários atacadistas contribuíram de várias maneiras para apoiar a estruturação da retaguarda de saúde do estado para atender a população que viesse necessitar de atendimento. Os empresários do setor também contribuíram com várias campanhas de arrecadação e doação de cestas básicas, tanto pelo sindicato como individualmente, em municípios e comunidades onde cada empresário tem relacionamento. Além disso, foram adotadas medidas de segurança (obrigatoriedade do uso de máscaras para clientes e colaboradores, uso de álcool em gel, distanciamento mínimo entre pessoas, higienização locais de trabalho etc) pelos atacadistas distribuidores, logo que foi anunciada a pandemia. Como leigo, acho que houve um equívoco fechamento do comércio por tanto tempo. Em outros estados, a reabertura do comércio se deu a partir de 60 dias dos decretos de fechamento da maior parte das atividades empresariais. O foco é saúde e a culpa nunca foi do comércio. Essa é a minha opinião, como cidadão e pequeno comerciante. Sugiro ouvir especialistas da área médica para expor tecnicamente sobre esse assunto.

Correio de Sergipe – Qual a mensagem que o senhor pode passar aos empresários, nesse momento tão conturbado para a economia?

Breno França – Esse é momento de provação para todos nós. A geração que me antecedeu e as que sucedem a geração da qual faço parte jamais vivenciaram algo semelhante à pandemia do coronavírus – nem em alcance, nem em profundidade Como cristão, recorro aos ensinamentos de Jesus Cristo, que nos instiga a testarmos nossa fé em momentos como esse. Vale a pena mencionar também o pensamento do filósofo Mário Sérgio Cortella. Ele cita que “devemos manter a esperança, do verbo esperançar”, ou seja, com seu ensinamento, o professor nos anima a buscarmos soluções criativas para os desafios que a vida nos impõe a todos, nessa fase. Com união, trabalho e fé em Deus, vamos conseguir!

Por Cláudia Lemos – Correio de Sergipe – Portal AJN1

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